Penso que a maioria de nossos amigos já sabe que por motivos profissionais nós nos mudamos de Campinas/SP para João Pessoa/PB, gostaria de usar esse espaço para contar um pouco dessa experiência.
Nossa viagem começou às 6:00hrs da manhã do dia 26/08/2008 como atesta essa foto abaixo:
Essa foto é do GPS “genérico” que comprei para ver ser conseguia alguma ajuda nessa viagem além do Guia 4 Rodas. Calculei a viagem da Rua Campos Salles em Valinhos até nosso novo endereço em João Pessoa e o GPS calculou 2.863Km.
Nossa idéia era dirigir somente de dia, então imaginei que poderíamos seguir de Campinas/SP até Governador Valadares/MG no primeiro dia, no segundo Governador Valadares/MG até Feira de Santana/BA, terceiro dia Feira de Santana/BA até João Pessoa/PB. A viagem foi feita em uma Montana 1.8 abastecida com álcool na saída de Campinas e usando poucas vezes o ar-condicionado.
Saíndo de Campinas/SP pela Rodovia Dom Pedro I, seguimos para Minas dirigindo no total por exatos 420km pela Rodovia Fernão Dias, não achei que conseguiríamos chegar no posto de combustível porque o aviso de reserva já estava cansado de piscar! Abasteci com gasolina já que fora de São Paulo o preço do àlcool fica muito alto, foram 48 litros! Seguimos até Belo Horizonte passando pelo centro da cidade para deixar uma encomenda, lá nos perdemos por uma hora e meia, por fim conseguimos encontrar a estrada para Governador Valdares.
Chegamos em Governador quase às 19:30hrs e nos hospedamos em um hotel chamado Spettus, eles tem uma churrascaria no térreo! O que chama a atenção por aqui é que a placa de boas vindas está em português, inglês e espanhol. Até o final deste primeiro dia de viagem as estradas estão boas ou muito boas.
Depois de dormirmos muito bem, seguimos de Governador Valadares com a intenção de chegar à Feira de Santana/BA.
Parando em um posto para abastecer, encontrei um amigo de Sta. Bárbara D´Oeste/SP chamado Romão que está indo para Camacari/BA para instalar uma máquina de produção de urdumes! Mundo pequeno este! Combinamos de seguir juntos até Feira.
O melhor da viagem é que a Bahia nunca chegava e minha co-pilota adorava “meditar” como se vê na foto abaixo.
No caminho, imagens muito “pitorescas”
Em nenhum momento nós paramos para tirar fotos, todas foram tiradas do carro em movimento pela co-pilota quando esta não estava “meditando”
Por fim chegamos à Bahia!
O problema é que já era 16hrs e segundo a placa abaixo, teríamos pela frente mais 510km até Feira de Santana.
Como vi que não conseguiríamos chegar até Feira, decidimos parar em Jequié pois já estava escurecendo…
Depois de dormir em Jequié em um hotel “para família”, seguimos viagem para tentar chegar em João Pessoa/PB, eu já sabia que não daria por conta da distância, então decidi que assim que passase por alguma cidade grande pararíamos.
Na foto abaixo, detalhe da praça a partir da janela do hotel em Jequié.
Na Bahia, a paisagem fica cada vez mais “seca” e plana, sem as montanhas e curvas de Minas Gerais, fica bem claro também a gritante diferença econômica entre os estados, de qualquer maneira, as paisagem bonitas nos acompanham.
Até esse momento estávamos acompanhando o Romão mas um pouco antes de chegar em Feira de Santana fui parado pela Polícia Rodoviária Federal e o guarda pediu que eu abrisse a capota da pickup para verificar o que estávamos levando, quando ele viu sapatos, roupas, cintos, bichos de pelúcia e caixa e mais caixas ele pediu que seguissemos viagem. O problema é que nos separamos do Romão e não deu para nos despedirmos, só nos falamos por celular e continuamos viagem subindo a BR-116 e ele seguiu sentido Salvador.
Segui subindo a BR-116 até que a Regiane notou pelo Guia 4 Rodas que devíamos começar a buscar a a BR-110, chegando na cidade de Tucano/BA, peguei a BR-410 que deveria nos levar até a BR-110, foi nesse trecho que começamos a ter problemas com os buracos e má conservação da pista. De Tucano até Cícero Dantas/BA as estradas estavam na qualidade da foto abaixo.
Não dava para passar de 80km, alguns buracos estava feios, acostamento é luxo por essas bandas, a vantagem é que a quantidade de caminhões era mínima já que os caminhoneiros são mais espertos que eu e com certeza evitam esse tipo de lixo pista.
Depois de muito custo e susto com os buracos, chegamos na divisa com Alagoas. Tiramos algumas fotos da Usina de Paulo Afonso no rio São Francisco, pena que como já havíamos perdido muito tempo por conta dos buracos, não quis parar.
De Paulo Afonso pegamos a BR-423 e em dado momento chegamos em Pernambuco mas infelizmente pela qualidade da conservação das placas quase não dá para saber como fica evidente na foto abaixo.
No caminho topamos com cenas atípicas como vários carros-de-boi transportando cana e outras cargas, também chama muita atenção os jegues soltos que pastam à beira da rodovia e uma grande quantidade de açudes. Seguimos direto para Garanhuns, a terra natal do molusco presidente Lula.
Em Garanhuns pernoitamos no Hotel Tavares Correia, um hotel de mais de oitenta anos que antes de hotel era um hospital ou hospício sei lá. O certo é que é bem “xique” em relação aos hotéis que estávamos pernoitando apesar de “sombrio”. O atendimento foi muito bom, pessoal atencioso e na ocasião estava começando um seminário médico na noite em que chegamos, estava movimentado o negócio…
No dia seguinte faltavam “poucos” kilômetros para completar a jornada, tomamos café e seguimos viagem, mas antes, uma parada para mais fotos.
Começamos a “tocar” firme para chegar logo à Recife e depois João Pessoa mas mal saímos do hotel o chamado da natureza começou a me avisar que eu precisaria em breve “limpar a lixeira”, visitar o Capitão Barroso, etc, etc, bom vocês entendem o que quero dizer… Ignorando a importância desse ato, continuei firme no propósito de encarar os próximos 350km.
Depois de 20km de viagem eu já me arrependia a cada posto de combustível que eu passava de não ter parado por achar o posto “sujo”… Cheguei em um posto no “meio” do agreste, sertão, brejo ou qualquer coisa assim e nem olhei para a cara do posto. Santa Regiane tinha carregado no carro um rolo de papel, taquei o bicho no bolso (para disfarçar) e segui firme em direção ao banheiro comprimentando todos que me olhavam (para disfarçar).
No local haviam duas opções, uma não considerei como opção porque alguém já havia decidido destruir a instalação e pelo que pareceu teve que sair às pressas deixando para trás rastros. Segui para o próximo box e (PAUSA – POR MOTIVOS ÓBVIOS DE CENSURA PRÉVIA DA REGIANE, não continuarei esse relato, voltemos à estrada no próximo parágrafo…)
Passamos por Recife e finalmente vejo a placa abaixo:
Mais 40km estávamos em nossa nova casa. Ai foi só descer a mudança…
Resumindo tecnicamente nossa viagem:
|
KM |
Litros |
| 420,00 | 48,00 |
| 531,20 | 41,00 |
| 261,10 | 21,31 |
| 417,60 | 34,70 |
| 410,20 | 32,72 |
| 420,00 | 39,10 |
| 350 | |
| 2.810 | 216,83 |
Isso siginifica que a Montana fez 12,96km/litro, se desprezar o primeiro tanque que estava com àlcool, ela fez 14,15km/litro somente na gasolina. O GPS genérico FOSTON se comportou bem apesar de algumas falhas previsíveis com relação à mão de direção em algumas cidades e de ficar navegando pelo “mato” quando estávamos em meio ao sertão, previsíveis porque os mapas são de 2006 devendo estar desatualizados. Ele foi quase exato quando calculou a kilometragem de Valinhos/SP até João Pessoa/PB, erro de 53km!
Fico por aqui, em breve relatos de nossa primeira experiência nas praias como paraíbas e outras aventuras.
Fabio
Essa foi muito mais que uma viagem, foi uma grande aventura.
Parabéns!
Um dia quero fazer uma viagem assim…
Por: Daniel Eto em 17 Janeiro, 2009
às 11:53 am
É verdade, foi uma grande aventura Daniel! Melhor que uma viagem assim de carro só de moto, essa é minha vontade no futuro!
Por: Fabio Ferreira em 17 Janeiro, 2009
às 12:18 pm